Quem é Jesus? (2): A voz que clama no deserto
Seis pessoas, na sala de casa.

Lemos Mateus 3 inteiro, cada um lendo um versículo na sua versão. No domingo anterior tínhamos visto Emanuel, Deus conosco. Agora o texto já mostra Jesus adulto, e a partir daqui começamos a ouvir as palavras dele. Mas antes dele vem João Batista, no deserto, com roupa de pelo de camelo, comendo gafanhoto e mel silvestre.
Por que João parecia um doido? Porque dieta e roupa diferentes eram coisa de sacerdote. E o sacerdócio do templo estava mancomunado com Herodes: a palavra que saía dali já não era palavra de Deus para o povo, era palavra comprada. Então Deus levanta alguém fora da ordem sacerdotal e o leva para o deserto. Quem faz acordo por debaixo dos panos não consegue ouvir a voz de Deus. João não passou a mão na cabeça de ninguém: deem frutos que mostrem arrependimento. Batismo sem fruto não vale nada. Quando Jesus entra na água para ser batizado por ele, é como se assinasse embaixo.
A maior parte da tarde foi sobre uma mania antiga: associar o que dá errado na vida a um castigo de Deus. Os discípulos perguntaram quem tinha pecado para aquele homem nascer cego; os amigos de Jó tinham certeza de que ele devia ter feito alguma coisa. Jesus não prometeu "faça o bem e tudo irá bem". Disse que no mundo teríamos aflições, e pediu ânimo. O perdão de Deus não vem com uma doencinha de brinde: o pai do filho pródigo devolve ao filho o lugar que ele tinha. Consequência existe, mas atribuir a Deus o que a gente não sabe é outra coisa. Às vezes a resposta honesta é "eu não sei".
E vimos de onde vem boa parte dessa mentalidade: de muita pregação que a gente ouviu, dizendo que faltar ao culto abre brecha e que ninguém é de Deus se não fizer tudo certo. É a mesma lista de exigências que os fariseus impunham ao povo. Jesus faz o contrário: "Ouvistes que foi dito: não matarás; eu, porém, vos digo" que quem odeia já matou no coração. Ele sai da regra e vai para a consciência, e quando a consciência muda, a lei se cumpre.
Terminamos falando de liberdade e de preconceito. Cada um precisa achar o lugar onde a fé faz sentido, e olhar torto para quem vive outra fé é o oposto do que Jesus ensinou. Nem no monte nem no templo: o Pai procura quem o adore em espírito e em verdade. Jesus conversou com a mulher samaritana quebrando todos os tabus de uma vez, sem se importar com o que iam pensar dele. O joio e o trigo têm as raízes entrelaçadas, e só quem planta sabe separar, na hora da colheita.
Fios para o próximo encontro
- Continuar Mateus pelo capítulo 4: a tentação no deserto e o começo do ministério.
- Da regra para a consciência: o "eu, porém, vos digo" do Sermão do Monte.
- Castigo e consequência: por que insistimos em ler o sofrimento como punição.
- Julgar pela aparência: como a gente reconhece quem fala da parte de Deus.
Cantamos
- Não é mais segredo (Marcos Almeida)
- Primeiro Amor
- Amigo de Deus
- Preciso de Ti (Diante do Trono)
